Confira quais são os principais sintomas da depressão e saiba como buscar apoio para aliviar o sofrimento e não fazer parte dessa estatística

Não apenas este mês, por conta do Setembro Amarelo (campanha mundial de prevenção ao suicídio) é importante falar sobre transtornos mentais, mas sim o ano todo. De acordo com pesquisa realizada pela Universidade de São Paulo (USP) em 11 países, o Brasil lidera os casos de depressão e ansiedade durante a pandemia do Coronavírus.

As restrições que passamos durante este período de isolamento social, que são fundamentais para conter o avanço da Covid-19, podem prejudicar a saúde mental e se transformar em um evento traumático para a maioria das pessoas, com o aumento do sentimento de medo e de estresse. Segundo o estudo, o Brasil é o país com mais casos de ansiedade (63%) e depressão (59%). Em segundo lugar está a Irlanda com 61% das pessoas com ansiedade e 57% com depressão, e os Estados Unidos, com 60% e 55%, respectivamente.

Um estudo desenvolvido em conjunto pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) levantou que 40,4% dos brasileiros participantes se sentiam frequentemente tristes ou deprimidos, e 50,6% relataram estar constantemente ansiosos ou nervosos durante a pandemia.

Enquanto isso, uma outra pesquisa realizada pela Universidade Federal de Juiz de Fora, apresentou dados ainda mais alarmantes. Foi encontrada uma parcela significativa de sintomas de depressão entre os participantes (92,2%), sendo que 51% apresentaram sintomas de ansiedade e 52% de transtorno de estresse pós-traumático.

Engana-se quem pensa que apenas os adultos são capazes de desenvolver algum desses quadros. Um levantamento realizado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) demonstrou que 1 a cada 4 crianças e adolescentes ouvidos em estudo apresentou ansiedade e depressão durante a pandemia com níveis clínicos, com a intervenção de especialistas. A pesquisa monitorou a saúde mental de 7 mil crianças e adolescentes de todo o país desde junho do ano passado a junho deste ano, cujos dados evidenciam que o cuidado com saúde mental deve ser redobrado durante a pandemia, com pessoas de todas as faixas etárias.

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Entendendo o que é a depressão

A depressão é considerada um transtorno comum, mas que precisa ser levado a sério, uma vez que interfere na vida diária, capacidade de trabalhar, dormir, estudar, comer e aproveitar a vida, sendo causada por uma combinação de fatores genéticos, biológicos, ambientais e psicológicos. Ou seja: não é um mero drama, mas sim uma patologia que precisa de tratamento imediato. Cabe ressaltar que nem todas as pessoas com transtornos depressivos apresentam os mesmos sintomas. A gravidade, frequência e duração variam dependendo do paciente e de sua condição específica.

A Organização Mundial da Saúde-OMS estima que mais de 300 milhões de pessoas no mundo sofram com a doença, mais comum em mulheres. A condição é diferente das alterações usuais de humor e das respostas emocionais aos desafios da vida, podendo se tornar em algo extremamente crítico quando não tratado. Cerca de 800 mil pessoas morrem por suicídio a cada ano – sendo essa a segunda principal causa de morte entre pessoas com idade entre 15 e 29 anos.

A depressão varia de intensidade, sendo:

  • Depressão leve: promove algum impacto em seu dia-a-dia;
  • Depressão moderada: promove um impacto significativo em seu dia-a-dia;
  • Depressão severa: torna quase impossível enfrentar a rotina diária; algumas pessoas com depressão grave podem apresentar sintomas psicóticos, como alucinações.

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5 sinais que podem indicar que você está com depressão

Para te ajudar a se prevenir, a identificar possíveis sintomas da doença, a ser um apoio para uma pessoa que esteja com esse quadro ou simplesmente desmistificar algum tabu, confira quais são os principais sinais de depressão.

1. Angústia profunda e constante

Apesar de os sentimentos de tristeza e apatia serem parte da vida de todo ser humano, a situação passa a ser considerada fora do normal quando eles persistem por períodos muito longos de tempo, em especial se não tem causa aparente. O estado de desânimo pode configurar depressão se for observado durante a maior parte do dia, na maioria dos dias.

2. Alterações no apetite e transtornos alimentares

Fique de olho em como você está lidando com a comida nos últimos tempos. É comum que o apetite de pessoas com depressão seja alterado, tanto para mais (excesso de apetite) como para menos (falta de apetite), causando oscilações de peso, obesidade, anemia, efeito sanfona ou sendo a causa para o início de transtornos alimentares como bulimia e anorexia.

3. Pensamentos suicidas

O suicídio é uma das maiores causas de morte no Brasil e no mundo, e é comum que esteja relacionado à pessoas com depressão. O Boletim Epidemiológico de Tentativas e Óbitos por Suicídio no Brasil, realizado pelo Ministério da Saúde, registrou 62.804 mortes por suicídio entre 2011 e 2016. Além disso, houve 48.204 tentativas contra a própria vida.

Estima-se que, anualmente, mais de 800 mil pessoas morrem por suicídio e, a cada adulto que se suicida, pelo menos outros 20 atentam contra a própria vida.1 Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), o suicídio representa 1,4% de todas as mortes em todo o mundo, tornando-se, em 2012, a 15a causa de mortalidade na população geral.

Um estudo do Departamento de Psicologia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) 5 averiguou que 90% dos casos de suicídio pesquisados poderiam ser diagnosticados como um quadro de transtorno mental.

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4. Sentimento de culpa frequente

É fato que o sentimento de culpa faz parte das relações humanas, mas quando é persistente essa sensação na pessoa, pode ser um sintoma indicativo de depressão, especialmente quando não há uma causa definida que faça com que o indivíduo se sinta desta forma.

Caso muitas questões do seu dia-a-dia estejam te levando a se culpar por “isso ou aquilo” de forma exagerada, busque ajuda profissional.

5. Alterações do sono

Especialistas observam que, além dos transtornos alimentares – quadro muito comum dos pacientes deprimidos, há uma predominância de distúrbios do sono entre as pessoas com depressão. Um estudo realizado pela Universidade de Bristol, na Inglaterra, indica que aproximadamente 75% dos pacientes depressivos relatam sofrer de insônia.

E, assim como os sintomas de alteração de paladar, há também o oposto da insônia, conhecida como a hipersônia (excesso de sono), que afeta 40% dos adultos jovens e 10% dos idosos com depressão, com preponderância entre as mulheres.

Ambos os sintomas são fontes de muitos desconfortos e afetam a qualidade de vida dos pacientes. Esse mesmo estudo aponta que a insônia é o primeiro sintoma de queixa entre pacientes de depressão, além de ser um dos poucos fatores de risco que comprovadamente podem levar ao suicídio.

Esses 5 sintomas citados acima não são os únicos presentes no quadro de depressão, havendo outros sinais como: fadiga, falta de prazer nas atividades diárias, isolamento social (o que, atualmente, tem acontecido naturalmente com a pandemia), comportamentos autodestrutivos (automutilação), redução do interesse e apetite sexual, agitação e inquietude.

Dicas para você se sentir melhor quando estiver deprimido

  • Fale com alguém de sua confiança sobre seus sentimentos.
  • Procure ajuda de um profissional de saúde, seja médico ou psicólogo.
  • Mantenha contato com familiares e amigos, evitando o isolamento social agudo.
  • Faça exercícios regularmente, mesmo que seja apenas uma caminhada.
  • Mantenha hábitos alimentares saudáveis e o sono regular.
  • Evite a ingestão de álcool e deixe de fazer uso de usar drogas ilícitas. Estas, além de ilegais, pioram a depressão.
  • Continue fazendo atividades que você sempre gostou, mesmo quando não está com vontade. Esse esforço é muito importante. Não se entregue!
  • Esteja atento aos pensamentos negativos persistentes e à autocrítica. Quando eles surgirem, tente substituí-los por pensamentos positivos. E não se esqueça de se parabenizar por suas conquistas diárias, por menores que sejam.

Fale com um médico online a qualquer momento

Quanto antes a depressão for diagnosticada, mais chances a pessoa tem de recuperar a qualidade de vida e amenizar os sintomas tão dolorosos, além de evitar fazer mal a si mesmo, como se machucar ou até tirar a própria vida. Por isso, o diagnóstico precoce e o tratamento imediato são tão importantes na vida do paciente com depressão.

Por não existir um exame capaz de confirmar a doença, o diagnóstico da depressão é realizado pelo médico ou psicólogo, após uma consulta e escuta atenta sobre as queixas, o histórico familiar, o momento atual vivido e alguns testes para avaliar o estado mental.

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