Há estados do nosso país que registraram um crescimento de 132% de óbitos ao longo desse período de isolamento social

Números alarmantes de estudos acerca do aumento de mortes por doenças cardiovasculares demonstram o quanto é mais do que providencial que olhemos com maior atenção para a saúde de nosso coração. A inatividade ou sedentarismo, impulsionados pela necessidade de isolamento social para a contenção do avanço do Coronavírus, é tida pelos especialistas como sendo uma das responsáveis pelo aumento do registro de óbitos devido às doenças cardíacas.

Uma pesquisa realizada pela USP (Universidade de São Paulo) levantou cerca de 200 mil novos registros de doenças cardiovasculares no longo prazo. Pesquisadores da Faculdade de Medicina da universidade publicaram, após uma revisão de 50 estudos, que a falta de exercícios teve um crescimento de 50%.

Um dos estudos utilizados como base para a análise aponta que a falta de atividade física é responsável por cerca de 9% da mortalidade anual, resultando em torno de 5 milhões de mortes por ano no mundo. Outros dados encontrados mostram que mesmo a inatividade de curto prazo (até um mês) pode aumentar o fator de risco para as doenças do coração.

Mais um fator importante levantado por outros estudiosos aponta que o medo de ir ao hospital durante a pandemia de Covid-19 fez com que pacientes interrompessem o acompanhamento de doenças crônicas. Segundo um levantamento feito pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), houve um aumento de 49,9% no número de mortes por doenças cardiovasculares no país.

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Em um estudo realizado em conjuntos entre pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), do Hospital Alberto Urquiza Wanderley e da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), foi levantado números ainda maiores, que demonstram que o número de mortes por doenças cardiovasculares cresceu até 132% no Brasil durante a pandemia.

Com o critério de avaliar algumas das cidades mais afetadas pela Covid-19 no início da pandemia, a pesquisa se concentrou em seis capitais: Manaus (AM), Belém (PA), Rio de Janeiro (RJ), São Paulo (SP), Recife (PE) e Fortaleza (CE).

Na comparação entre março e maio de 2019 e o mesmo período de 2020, as mortes por doenças cardiovasculares não especificadas, infartos e AVCs (Acidentes Vasculares Cerebrais) chegaram a aumentar em 132% em Manaus, 126% em Belém, 87% em Fortaleza, 71% em Recife, 38% no Rio de Janeiro e 31% em São Paulo.

As doenças do sistema cardiovascular já figuravam entre as principais causas de mortes em todo o mundo. De acordo com o Relatório Anual GBD (Global Burden of Desease), divulgado pela revista científica The Lancet, a hipertensão foi a enfermidade que mais causou mortes no mundo em 2019, sendo a causa de óbito de cerca de 10,8 milhões de pessoas.

Segundo o American College of Cardiology, que lançou um boletim para orientar os profissionais de saúde quanto ao assunto, dentre os pacientes hospitalizados pelo novo Coronavírus, 50% possuíam doenças crônicas, sendo que 40% possuíam doença cardiovascular ou cerebrovascular. Entre os casos fatais 86% tinham acometimento respiratório, desses 33% acometimento cardíaco associado e 7% acometimento cardíaco isolado.

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Médicos plantonistas na palma da sua mão

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É preciso adotar uma atenção especial às doenças cardiovasculares

Para as 520 milhões de pessoas que vivem com doenças cardiovasculares, a pandemia de Coronavírus tem sido avassaladora. Eles correm maior risco de desenvolver complicações se contraírem o vírus. Por isso, tem sido comum que muitas delas relatem medo de ir às consultas médicas de rotina e até mesmo de procurar atendimento médico em situações de emergência, se isolando de amigos e familiares.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), as doenças cardiovasculares responderam por 32% de todas as mortes globais ocorridas em 2019, totalizando 17,9 milhões de pessoas, sendo 85% delas de infarto ou derrame. Dados do Cardiômetro, da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), mostram que de janeiro deste ano até as 16h07 de ontem 28 de setembro de 2021, o número de mortes por doenças cardiovasculares no Brasil alcançava 299.304 pessoas.

Por mais que as pessoas estejam com receio de sair de casa e procurar ajuda médica, cuidar da saúde é prioridade! Portanto, ressaltamos que alguns sintomas que você perceba que são incomuns para você não podem ser menosprezados. É preciso ficar atento ao surgimento de possíveis doenças cardiovasculares.

Indicamos que pacientes que fazem uso contínuo de medicamentos, devem seguir realizando suas consultas periódicas com rigor, não deixando de comparecer às consultas, de utilizar suas medicações de forma regular e buscando pronto atendimento em caso de emergência.

As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte em todo o mundo, sendo causada por diversos fatores: tabagismo, diabetes, hipertensão, obesidade, poluição do ar ou patologias menos comuns, como doença de chagas ou amiloidose cardíaca.

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O melhor caminho é prevenir e investir em qualidade de vida

A SBC levantou que, no Brasil, cerca de 14 milhões de pessoas têm alguma doença cardiovascular e pelo menos 400 mil morrem anualmente em decorrência dessas enfermidades, o que corresponde a 30% de todas as mortes no país. O ponto é que é muito mais fácil cuidar da saúde do que da doença, o que significa que a prevenção de fatores de risco é o melhor caminho para evitar as doenças cardiovasculares, sempre em busca de hábitos saudáveis.

Confira as 5 dicas que para você investir na saúde do seu coração:

1. Realize consultas regulares com cardiologistas

O indicado para quem não tem nenhum tipo de doença cardiovascular é se consultar um cardiologista uma vez por ano. E para quem tem alguma comorbidade, de duas a quatro vezes por ano. Assim, é possível levantar quadros precoces a tempo de agir para a retomara da qualidade de vida do paciente e com um plano personalizado.

Além disso, é importante buscar apoio médico para realizar uma avaliação física antes de iniciar atividades físicas, uma vez que existem tanto as arritmias que podem ser induzidas pelo exercício físico como condições que nunca foram avaliadas e que são descobertas quando a pessoa inicia uma nova prática de exercícios.

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2. Traga a atividade física para sua rotina

No Brasil, cerca de 50% da população é considerada inativa. A orientação da Organização Mundial da Saúde (OMS) é a prática de 150 a 300 minutos por semana de atividade física moderada a vigorosa.

Atividades físicas são essenciais e podem ser feitas de maneira prazerosa, desde caminhadas ao ar livre, subir e descer escadas em vez de usar o elevador, e andar de bicicleta. Tudo isso sem custo para o bolso e para o organismo.

O sedentarismo está associado a várias doenças que aumentam o risco de problemas cardiovasculares. A falta de atividade física favorece o acúmulo de gordura nas paredes dos vasos sanguíneos, o que dificulta a passagem de sangue, compromete o funcionamento do órgão e pode levar ao infarto, além do risco de provocar acidente vascular cerebral (AVC) e trombose.

A prática de exercícios físicos pode aumentar o rendimento cardíaco, além de ajudar a manter o controle de peso, o bom humor e o funcionamento adequado do sistema imunológico. No entanto, os benefícios estão associados à prática moderada das atividades. O excesso pode ser prejudicial à saúde.

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3. Adote uma alimentação saudável permanente

Manter uma alimentação saudável, evitar o excesso de álcool e não fumar também melhoram drasticamente a saúde do coração, sendo essa ação uma das principais aliadas na luta contra as doenças cardiovasculares.

Comer muito e/ou de modo errado é a principal causa de alguns dos fatores de risco das doenças cardiovasculares, como a obesidade, diabetes, hipertensão, colesterol e triglicérides elevados. Por isso, é fundamental alimentar-se bem, de maneira equilibrada e sem excessos.

Alimentos benéficos para o coração: Peixes de água frias, alho, aveia, oleaginosas, canela e laticínios desnatados.

Alimentos nocivos quando consumidos inadequadamente:  Açúcar, sal, carnes processadas e gordura trans.

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4. Cuidado com o estresse

Outro problema comum na atualidade são os altos níveis de estresse. Eles podem estimular problemas cardíacos, porque a aceleração dos batimentos é capaz de aumentar a pressão arterial.

A pressão alta, por sua vez, tem impacto no coração, acarretando maior risco de infarto e AVC. Até mesmo pequenas medidas, como realizar refeições tranquilas, sem estresse e sem fazer uso de celulares e televisão, podem ajudar a preservar a saúde do coração.  Coma com prazer e qualidade. Isso faz diferença, inclusive no alívio do estresse.

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5. Esteja atento à saúde de suas crianças desde cedo

Números da Federação Mundial do Coração mostram a existência de 155 milhões de crianças obesas e acima do peso no planeta. A estimativa é que elas têm 80% a mais de chance de ter sobrepeso quando adultas e, em consequência, maior risco de enfermidades cardíacas e acidentes vasculares cerebrais (AVC). Crianças e jovens com sobrepeso têm três a cinco vezes mais chances de sofrer um infarto ou AVC antes de chegarem aos 65 anos de idade, além de grande risco de desenvolver diabetes.

O sobrepeso na infância acaba gerando um acúmulo maior de gordura nas artérias ao longo dos anos, o que aumenta as chances de infarto e AVC. Por isso, a prevenção primária das doenças cardiovasculares deve começar na infância e estar relacionada diretamente à mudança de hábitos alimentares e de estilo de vida.

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Se quiser se consultar com um médico cardiologista, é possível realizar o agendamento com o profissional de sua preferência, no horário que considerar mais adequado.

Em caso de sintomas de urgência cardiológica, como dor torácica (que causa aperto no peito e irradia para mandíbula ou braço esquerdo), assim como falta de ar intensa relacionada ao esforço físico, procure imediatamente um pronto-socorro!

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