Brasil registra queda no número de infecções pela doença, mas 76% dos casos de morte por hepatite são do tipo C, que se tratados, podem ter uma chance de 95% de cura.

O mês de julho foi adotado pelo Ministério da Saúde como sendo o período de conscientização para luta e prevenção das hepatites virais. A ideia não é deixar de abordar o tema nos demais meses do ano, mas chamar atenção da população sobre o que são as hepatites virais, sendo elas as principais causas de câncer no fígado e de outras patologias.

De acordo com o último Boletim Epidemiológico de Hepatites Virais, no Brasil, entre os anos de 2000 a 2018, foram registradas 74.864 mortes por conta da doença, sendo que a hepatite C concentra 76% desses óbitos. De acordo com os dados levantados, nos últimos anos, o tratamento contra a enfermidade evoluiu bastante, sendo que, quando seguido de forma criteriosa, a chance de cura supera os 95%.

Segundo dados do Instituto Brasileiro do Fígado (Ibrafig), atualmente existem 500 mil pessoas no Brasil com o vírus da hepatite C ativo, com potencial risco de desenvolver cirrose hepática e câncer de fígado. Sendo assim, com o objetivo de estimular o diagnóstico precoce e o tratamento adequado das hepatites virais, o Ibrafig e a Sociedade Brasileira de Hepatologia (SBH) se unem à Organização Pan-americana de Saúde (Opas) na campanha de Julho Amarelo 2021 com o tema “Não Vamos Deixar Ninguém Para Trás”.

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O que são hepatites virais?

As hepatites virais são um grave problema de saúde pública no Brasil e no mundo, que são uma infecção que atinge o fígado, causando alterações morfológicas que variam de moderadas a graves. Em inúmeros casos, a doença pode ser silenciosa e não apresentar qualquer sintoma, o que apresenta um grande risco ao paciente. Já quando o desconforto aparece, ele se manifesta especialmente como cansaço, febre, mal-estar, tontura, enjoo, vômitos, dor abdominal, pele e olhos amarelados, urina escura e fezes claras.

Em nosso país, as principais hepatites virais são as dos tipos A, B e C. Existem também, com menor frequência, a hepatite D – mais comum na região Norte do país – e a hepatite E, pouco frequente no Brasil, sendo mais encontrada na África e na Ásia.

É importante estarmos atentos às infecções causadas pelas hepatites B e C, conhecidas por se tornarem crônicas. O avanço desses vírus compromete o fígado e podem causar fibrose avançada ou cirrose, fatores que podem levar ao desenvolvimento de câncer e à necessidade de transplante do órgão. O impacto dessas infecções acarreta aproximadamente 1,4 milhões de mortes anualmente no mundo.

Há testes rápidos disponíveis no SUS para detectar gratuitamente a infeção pelos vírus B ou C, sendo indicado que minimamente todas as pessoas com mais de 45 anos realizem o teste e, em caso positivo, iniciem o tratamento de forma imediata. Apesar da hepatite tipo B não ter cura, há uma vacina contra ela, ofertada nas Unidades Básicas de Saúde. Quanto à hepatite C, há medicações que permitem sua cura, se o tratamento for realizado de forma correta e fiel ao descrito pelo médico.

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Quais são os tipos da doença?

A hepatite tem diversas causas, por isso, ela é classificada em alguns tipos, de acordo com o vírus transmissor. São 5 os tipos mais comuns de hepatites virais: A, B, C, D e E. Conheça um pouco sobre cada um deles:

Hepatite A

É a que tem o maior número de casos, sendo diretamente relacionada às condições de saneamento básico e de higiene. É uma infecção leve, que ‘se cura sozinha’ e de sintomas amenos, como o escurecimento das urinas e fezes, amarelamento da pele e dos olhos, febre, náuseas e vômitos.

Não há um tratamento específico para esse tipo de hepatite. O que é comumente indicado é que o paciente repouse, tenha uma boa alimentação, consuma bastante líquido e evite o uso de medicamentos que prejudiquem o fígado.

No Brasil, os casos de hepatite A concentram-se, em sua maioria, nas regiões Norte e Nordeste, que juntas reúnem 55,7% de todos os casos confirmados no período de 1999 a 2018. As regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste abrangem 17,7%, 15,4% e 11,2% dos casos do país, respectivamente. (Fonte: Ministério da Saúde)

Hepatite B

Considerada uma DST – doença sexualmente transmissível, este é o segundo tipo com maior incidência, que atinge os pacientes especialmente por  transmissão sexual ou contato sanguíneo. A melhor forma de prevenção para a hepatite B é a vacina, assim como o uso do preservativo ou camisinha.

Os sintomas são considerados leves, tais como cansaço, tontura, dor abdominal, pele e olhos amarelados. O tratamento para esse tipo inclui medicamentos antivirais, a serem receitados pelo médico.

No período de 1999 a 2018, foram notificados 233.027 casos confirmados de hepatite B no Brasil, período com poucas variações na taxa de detecção, atingindo 6,7 casos para cada 100 mil habitantes no país em 2018. As taxas de detecção das regiões Sul e Norte têm se mostrado superiores à taxa nacional. (Fonte: Ministério da Saúde)

Hepatite C

É a de maior grau de gravidade e que, portanto, deve ter uma atenção especial. Transmitida através do contato com sangue contaminado ou por vias sexuais, a hepatite C é considerada a maior epidemia da humanidade hoje, cinco vezes superior à AIDS/HIV, sendo a principal causa de transplantes de fígado. A doença ainda pode causar cirrose, câncer de fígado e morte.

Ao contrário dos demais vírus que causam hepatite, o vírus da hepatite C não gera uma resposta imunológica adequada no organismo, o que faz com que a infecção aguda seja menos sintomática, mas também com que a maioria das pessoas que se infectam se tornem portadores de hepatite crônica, com consequências a longo prazo, que surgem com o passar dos anos.

O tratamento para a hepatite C deve ser realizado de forma personalizada, de acordo com o que for indicado pelo hepatologista ou infectologista. Há uma meta global de eliminar a hepatite C como um problema de saúde pública até 2030, e o Brasil está comprometido com esse objetivo.

Entre os anos de 1999 a 2018, foram notificados 359.673 casos de hepatite C no Brasil. A maior parte dos indivíduos infectados pelo HCV desconhece seu diagnóstico. A maior prevalência de hepatite C está entre pessoas que têm idade superior a 40 anos, sendo mais frequentemente encontrada nas regiões Sul e Sudeste do país. Pessoas submetidas a hemodiálise, privados de liberdade, usuários de drogas e pessoas vivendo com HIV são exemplos de populações mais vulneráveis à infecção pelo HCV. (Fonte: Ministério da Saúde)

Hepatite D

Também conhecida como delta, é causada pelo vírus HDV e ocorre somente entre os pacientes portadores da hepatite B. Desse modo, a vacinação contra a hepatite B também acaba sendo uma forma de proteger as pessoas de uma infecção com a hepatite D.

Os principais sintomas são tontura, cansaço, enjoo, febre e dor abdominal. O tratamento é realizado como para a hepatite B.

Entre 1999 e 2018, foram notificados 3.984 casos confirmados de hepatite D no país. A maior ocorrência se deu na região Norte, com 74,9% dos casos notificados. As regiões Sudeste, Sul, Nordeste e Centro-Oeste abrangeram 10,3%, 5,9%, 5,5% e 3,4% dos casos, respectivamente. Em 2018, foram notificados 145 casos no país, sendo 104 (71,7%) na região Norte. (Fonte: Ministério da Saúde)

Hepatite E

Esse tipo de hepatite viral é transmitida por via digestiva, sendo que o contágio acontece através de alimentos, em uma transmissão fecal-oral, o que gera pandemias em algumas regiões do mundo. Pouco frequente no Brasil, ela também pode ser transmitida por meio do contato com sangue contaminado ou de mãe para filho, durante a gestação.

Dentre os sintomas, destacam-se dor no abdômen, cansaço, vômito e amarelamento dos olhos, que aparecem após o 15º dia da infecção pelo vírus.

O tratamento para esse tipo de hepatite é solucionado pelo próprio organismo, sem a necessidade do consumo de qualquer tipo de medicamento. Indica-se o repouso, uma boa alimentação e alta ingestão de líquidos.

A hepatite E não tem dados de prevalência significativos no Brasil, mas é muito comum na Ásia e África. (Fonte: Ministério da Saúde)

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Confira os principais fatores de riscos

Existem diversos fatores de riscos que podem causar a hepatite, é possível destacar alguns deles, sendo:

  • Consumir água e alimentos contaminados;
  • Praticar relações sexuais sem proteção;
  • Utilizar materiais cirúrgicos contaminados;
  • Compartilhar escova de dentes, alicates de unhas e outros itens de higiene pessoal;
  • Uso abusivo de álcool e medicamentos;
  • Não ser vacinado contra hepatites A e B;
  • Compartilhar agulhas para o uso de drogas injetáveis.

A cura e a importância do diagnóstico precoce

Realize check-ups de saúde frequentemente, pois a principal maneira de se identificar a presença da hepatite no organismo é através de exames de sangue. Desse modo, de forma rápida, é possível iniciar o tratamento precocemente, no estágio inicial da doença, antes que ela evolua para quadros mais graves, como cirrose, câncer de fígado ou transplante do orgão.

Para prevenir a hepatite, é necessário adotar hábitos de higiene, não compartilhar objetos de uso pessoal, não ter relações sexuais sem proteção, reduzir o consumo excessivo de álcool e tomar cuidado com a ingestão de algumas medicações prejudiciais ao fígado.

A boa notícia é que hepatite pode ter cura caso o tratamento seja realizado da forma correta! Ao contrário, ela pode levar a sérias complicações e até a óbito. Por isso, em caso de suspeita, procure um médico imediatamente.

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