Saiba o que são as doenças autoimunes mais comuns e os principais sintomas para diagnosticá-las de forma precoce e iniciar um tratamento correto.

Como aprendemos na escola, o sistema imunológico é o responsável pela defesa do nosso organismo. Entretanto, é possível que doenças causem uma desordem imunológica, em que o próprio corpo passa a atacar determinadas regiões como uma resposta autoimune. Com esse desequilíbrio, o sistema imunológico, ao invés de proteger o indivíduo, passa a ser o próprio agressor. Nessa desordem imunológica, há uma redução na tolerância a substâncias do nosso organismo, quando o corpo acaba por confundir suas proteínas com agentes externos invasores.

Sendo assim, uma doença autoimune é caracterizada pelo mau funcionamento do sistema imunológico, o que leva o corpo a atacar seus próprios tecidos. Não há ainda uma explicação científica concreta do que desencadeia as chamadas doenças autoimunes (DAI), mas já foi possível identificar uma alta influência genética. Seus sintomas variam conforme a doença e a parte do corpo afetada, e o tratamento inclui medicamentos que atuam na recuperação do sistema imunológico.

De acordo com o site Muitos somos raros (especialista em doenças raras), “as doenças autoimunes são um grupo de mais de 100 doenças que envolvem qualquer órgão ou sistema do nosso organismo, como doenças crônicas e raras que atingem simultânea ou sequencialmente esses órgãos ou sistemas e outras dirigidas especificamente contra alguns deles como o sistema nervoso, os aparelhos digestivo e respiratório, pele, sangue etc. Em todas as doenças autoimunes o sistema imunológico fica desorientado, ataca o próprio corpo e os órgãos que deveria proteger”.

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Conheça as 10 doenças autoimunes mais comuns

1. Artrite reumatoide

Segundo a Sociedade Brasileira de Reumatoloia, a Artrite Reumatóide (AR) é uma doença inflamatória crônica que pode afetar várias articulações ao mesmo tempo. Sua causa é desconhecida e acomete as mulheres duas vezes mais do que os homens. Inicia-se geralmente entre 30 e 40 anos e sua incidência aumenta com a idade. É caracterizada por dores nas articulações de ambos os lados do corpo, pois o sistema imunológico ataca a camada de tecido que reveste essas estruturas. Afeta em torno de um a cada 100 indivíduos.

Os sintomas mais comuns são os da artrite (dor, edema, calor e vermelhidão) em qualquer articulação do corpo sobretudo mãos e punhos. O comprometimento da coluna lombar e dorsal é raro mas a coluna cervical é frequentemente envolvida. As articulações inflamadas provocam rigidez matinal, fadiga e com a progressão da doença, há destruição da cartilagem articular e os pacientes podem desenvolver deformidades e incapacidade para realização de suas atividades tanto de vida diária como profissional. As deformidades mais comuns ocorrem em articulações periféricas como os dedos em pescoço de cisne, dedos em botoeira, desvio ulnar e hálux valgo (joanete).

2. Diabetes tipo 1

Também chamada de Diabetes Mellitus, de acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes, em algumas pessoas, o sistema imunológico ataca equivocadamente as células beta. Logo, pouca ou nenhuma insulina é liberada para o corpo. Como resultado, a glicose fica no sangue, em vez de ser usada como energia. Esse é o processo que caracteriza o Tipo 1 de diabetes, que concentra entre 5 e 10% do total de pessoas com a doença. O Tipo 1 aparece geralmente na infância ou adolescência, mas pode ser diagnosticado em adultos também. Essa variedade é sempre tratada com insulina, medicamentos, planejamento alimentar e atividades físicas, para ajudar a controlar o nível de glicose no sangue.

O Brasil é o quarto país com maior número de diabéticos do mundo, segundo o International Diabetes Federation (IDF). São 12,5 milhões (7%) de brasileiros afetados, segundo o Ministério da Saúde. Em primeiro lugar está a China, com 114 milhões de diabéticos, em seguida figura a Índia, com quase 73 milhões, e os Estados Unidos, com 30 milhões.

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3. Doença de Crohn

A doença de Crohn é uma doença intestinal inflamatória na qual a inflamação crônica normalmente envolve a parte inferior do intestino delgado, o intestino grosso ou ambos, e pode afetar qualquer parte do trato digestivo. Provoca diarreia crônica, dores abdominais, perda de peso e também pode causar dores articulares.

A doença atinge cerca de 10 milhões de pessoas no mundo e, apesar de não ter cura, tem tratamento. Ela acomete igualmente homens e mulheres e costuma acontecer em pessoas jovens, com um pico de incidência entre 15 e 30 anos de idade, embora possa ocorrer em qualquer idade. Aproximadamente 10% dos casos ocorrem em indivíduos menores de 18 anos e um segundo pequeno pico pode ocorrer em indivíduos de 50 a 70 anos de idade. A doença quando de longa duração (>8 a 10 anos), associa-se a um risco aumentado de câncer de intestino.

4. Doença celíaca

A doença celíaca, que afeta uma em cada 300 pessoas, é uma intolerância hereditária ao glúten (proteína encontrada no trigo, cevada e aveia) que causa alterações características no revestimento do intestino delgado, resultando em má absorção. O revestimento intestinal se inflama após a pessoa ingerir glúten. Os sintomas incluem diarreia, vômito, perda de peso, problemas de desnutrição e fertilidade.

A doença celíaca aumenta o risco de certos cânceres do trato digestivo. O tipo de câncer mais comum é o linfoma do intestino delgado. Tais linfomas afetam cerca de 6% a 8% das pessoas que tiveram doença celíaca por muito tempo (normalmente por mais de 20 a 40 anos). A pessoa também corre um risco maior de desenvolver outros tipos de câncer do trato digestivo. Seguir estritamente uma dieta sem glúten reduz significativamente o risco de câncer.

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5. Esclerodermia

De acordo com a Sociedade Brasileira de Dermatologia, a Esclerodermia significa “endurecimento” da pele. É uma doença rara que afeta o tecido conjuntivo, que dá estrutura e sustenta os órgãos e sistemas do corpo humano. Não possui causa conhecida, contudo é considerada uma condição autoimune e não é contagiosa.

Sua principal característica é o espessamento da pele. É mais comum no sexo feminino, podendo acometer adultos e crianças. Existem basicamente duas formas de apresentação: a localizada e a sistêmica. Na forma localizada há envolvimento apenas da pele. Já a forma sistêmica, também chamada de Esclerose Sistêmica, afeta, além da pele, outros órgãos, como esôfago, pulmão e rins, e pode ser dividida em formas Cutânea Limitada e Cutânea Difusa.

6. Esclerose múltipla

A Esclerose Múltipla (EM) é uma doença neurológica, crônica, progressiva e autoimune. Isso significa que as células de defesa do nosso corpo atacam nosso próprio sistema nervoso – como se ele não pertencesse ao nosso organismo, causando lesões no cérebro e na medula.

A ABEM – Associação Brasileira de Esclerose Múltipla, esclarece que não se trata de uma doença mental e não é suscetível de prevenção, e estima que cerca de 40 mil brasileiros têm a doença. Embora ainda tenha suas causas desconhecidas, a EM tem sido foco de muitos estudos no mundo, o que tem possibilitado uma constante e significativa evolução na qualidade de vida dos pacientes, geralmente jovens, e de modo especial mulheres de 20 a 40 anos. A Esclerose Múltipla não tem cura e pode se manifestar por diversos sintomas, como fadiga intensa, depressão, fraqueza muscular, alteração do equilíbrio da coordenação motora, dores articulares, disfunção intestinal e da bexiga e problemas de memória.

7. Lúpus

O Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES ou apenas lúpus) é uma doença inflamatória crônica de origem autoimune, cujos sintomas podem surgir em diversos órgãos de forma lenta e progressiva (em meses) ou mais rapidamente (em semanas) e variam com fases de atividade e de remissão. São reconhecidos dois tipos principais de lúpus: o cutâneo, que se manifesta apenas com manchas na pele (geralmente avermelhadas ou eritematosas e daí o nome lúpus eritematoso), principalmente nas áreas que ficam expostas à luz solar (rosto, orelhas, colo (“V” do decote) e nos braços) e o sistêmico, no qual um ou mais órgãos internos são acometidos. Alguns sintomas são gerais como a febre, emagrecimento, perda de apetite, fraqueza e desânimo. Outros, específicos de cada órgão como dor nas juntas, manchas na pele, inflamação da pleura, hipertensão e/ou problemas nos rins.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Reumatologia, o lúpus pode ocorrer em pessoas de qualquer idade e sexo, porém as mulheres são muito mais acometidas. Ocorre principalmente entre os 20 e 45 anos, sendo um pouco mais frequente em pessoas mestiças e nos afrodescendentes. No Brasil, não dispomos de números exatos, mas as estimativas indicam que existam cerca de 65.000 pessoas com lúpus, sendo a maioria mulheres. Acredita-se assim que uma a cada 1.700 mulheres no Brasil tenha a doença. Desta forma, em uma cidade como o Rio de Janeiro teríamos cerca de 4.000 pessoas com lúpus e em São Paulo aproximadamente 6.000.

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8. Psoríase

A psoríase é uma doença inflamatória, crônica, que acomete igualmente homens e mulheres. Segundo dados da Sociedade Brasileira de Dermatologia, estima-se que de 1 a 3% da população mundial apresente a doença, ou seja, mais de 125 milhões de pessoas no mundo e  mais de 5 milhões apenas no Brasil. A psoríase manifesta-se principalmente por lesões cutâneas, geralmente como placas avermelhadas, espessas, bem delimitadas, com descamação, que podem surgir em qualquer local do corpo. Existem várias formas da doença, sendo a mais frequente a psoríase em placa, que ocorre em 80% a 90% dos pacientes, com as lesões podendo surgir em qualquer parte da pele, sendo mais frequentes no couro cabeludo, cotovelos e joelhos.

Durante a evolução, essas lesões podem mudar de tamanho, forma e localização e, em casos mais raros, acometer toda a pele (psoríase eritrodérmica). Ela também pode manifestar-se em áreas de dobras (psoríase invertida), nas palmas das mãos e plantas dos pés (psoríase palmoplantar), ou apresentar bolhas com pus (psoríase pustulosa). Também é comum o acometimento das unhas, podendo levar ao descolamento, surgimento de manchas e outras deformidades. Pode surgir em qualquer fase da vida, sendo mais frequente o seu aparecimento antes dos 30 anos ou após os 50 anos.

9. Tireoidite de Hashimoto

Muitos problemas podem afetar o funcionamento da glândula tireoide. Dentre alguns deles, está a Tireoidite de Hashimoto, que é uma doença autoimune na qual os anticorpos produzidos pelo organismo acabam atacando as células tireoidianas e destruindo-as. Ela é a causa mais frequente do hipotireoidismo (diminuição dos hormônios tireoidianos).

Não se sabe ao certo a causa para a Tireoidite de Hashimoto. Existem fatores genéticos, já que há uma herança de pré-disposição ao desenvolvimento de doenças autoimunes, mas esse desenvolvimento acontece devido a elementos que estão no meio ambiente e fazem parte de nossas vidas.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, a doença afeta cerca de 5% da população adulta e ocorre principalmente em mulheres, sendo de cinco a oito vezes mais frequentes neste público do que em homens. Além disso, quanto mais idosa for a pessoa, maior é a chance de apresentar Tireoidite de Hashimoto. Apesar disso, crianças também podem ser afetadas pelo problema. O diagnóstico da Tireoidite de Hashimoto normalmente é feito de forma precoce, ainda na fase de hipotireoidismo subclínico. Isso porque é feita a dosagem do TSH, que é um exame muito sensível.

10. Vitiligo

O vitiligo é uma doença caracterizada pela perda da coloração da pele, o que pode afetar a autoestima do paciente e ser um gatilho para depressão ou ansiedade. As lesões formam-se devido à diminuição ou à ausência de melanócitos (células responsáveis pela formação da melanina, pigmento que dá cor à pele) nos locais afetados. As causas da doença ainda não estão claramente estabelecidas, mas fenômenos autoimunes parecem estar associados ao vitiligo. Além disso, alterações ou traumas emocionais podem estar entre os fatores que desencadeiam ou agravam a doença.

A Sociedade Brasileira de Dermatologia levantou que a doença acomete aproximadamente 0,5% da população mundial e salienta que o vitiligo não é contagioso e não traz prejuízos à saúde física. A doença é caracterizada por lesões cutâneas de hipopigmentação, ou seja, manchas brancas na pele com uma distribuição característica.  O tamanho das manchas é variável. O vitiligo possui diversas opções terapêuticas, que variam conforme o quadro clínico de cada paciente.

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