Confira a entrevista com um pneumologista e saiba quando é o momento de buscar ajuda médica para realizar o diagnóstico e o tratamento do seu caso.

  1. Os 3 tipos de tosse
  2. Causas mais comuns
  3. Entrevista com especialista:
    1. O que é a tosse?
    2. Quais são as principais doenças que acompanham esse sintoma?
    3. Quando é o momento de procurar ajuda médica?
    4. Como é a tosse de uma pessoa infectada pelo Covid-19?
    5. Por que à noite a tosse fica mais intensa?
    6. O que fazer para reduzir o desconforto, especialmente na hora de dormir?
    7. Como a telemedicina pode contribuir para o diagnóstico e tratamento?

Se tem algo que causa muito incômodo e preocupação é a tosse, que nada mais é que um reflexo natural do nosso organismo, reproduzido como forma de proteger o aparelho respiratório durante um processo de irritação. Sendo assim, pode ser visto até como um sintoma benéfico, que visa impedir a entrada de agentes estranhos em nossa via aérea, como germes, secreção e alimentos. Entretanto, em alguns casos, a tosse sinaliza que há algo mais grave, como uma doença que merece o olhar atento de um médico com urgência, especialmente quando se trata de tosses com longo período de duração e se tiver acompanhada de secreção ou sangue.

Por conta da atual pandemia gerada pelo Coronavírus, este sintoma tem sido muito abordado por pacientes e profissionais da saúde, sendo que ele pode estar presente ou não na pessoa infectada pela Covid-19. Por isso, viemos hoje tirar algumas de suas dúvidas, com o objetivo de te ajudar a preservar seu bom estado físico, a cuidar de sua família e de esclarecer o quanto é importante buscar orientação médica antes de realizar uma automedicação equivocada, que pode comprometer seu quadro clínico.

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Conheça os 3 tipos de tosse e fique atento!

1. Tosse seca

É bastante desconfortável e não vem acompanhada de nenhuma secreção, seja na garganta ou nos pulmões. É comum estar presente em quadros relacionados a alterações no sistema respiratório. Essa também é a tosse que aparece como um dos sintomas da Covid-19 e que pode ter um período prolongada de incômodo (como nosso médico entrevistado explicará mais abaixo).

2. Tosse produtiva

É a tosse carregada, como se diz popularmente, em que há a presença de muco (mais conhecido como catarro), que apresenta um aspecto claro, espesso, branco, verde ou amarelado, depende da doença que acompanha o sintoma. Este muco é produzido por glândulas localizadas abaixo da região mucosa, uma camada interna das vias aéreas, com a função de proteger o corpo de vírus, bactérias e demais micro-organismos que podem nos infectar.

3. Tosse por tabaco

Pessoas fumantes, adeptas ao tabagismo, podem apresentar um tipo de tosse crônica e frequente, que geralmente vem acompanhadas de secreção com cor marrom escura. Isso acontece porque o tabaco presente no cigarro é um irritante das vias aéreas, tantos as nasais como as brônquicas. Especialmente para esse caso, o acompanhamento médico é urgente.

Quais são as causas mais comuns?

  • Infecções das vias aéreas superiores, como resfriados, gripes, H1N1, Coronavírus
  • Amigdalites, faringite e laringite virais ou bacterianas
  • Sinusite e rinite
  • Medicamentos inibidores da ECA (utilizados para controlar hipertensão)
  • Asma, bronquite e pneumonia
  • Doença do refluxo gastroesofágico
  • DPOC – Doença pulmonar obstrutiva crônica, por consequência do tabagismo
  • Doenças pulmonares, como bronquiectase, doença pulmonar intersticial ou tumores
  • Tuberculose

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Entrevista com especialista

1. O que é a tosse?

A tosse não é uma doença. É um sinal associado a algumas doenças, mas também a algum tipo de defesa do nosso organismo. A tosse pode ser produzida nos pulmões ou fora deles, como na via aérea superior e na laringe. Ela pode ter várias causas, mas, acima de tudo, é um reflexo do organismo em decorrência de algum tipo de irritação ou um sinal de que alguma coisa pode estar acumulando no nosso pulmão e necessita sair. Ou seja, resumidamente, o esforço da tosse costuma ser a defesa que nosso organismo tem para se livrar de algo que está no lugar errado nos pulmões.

2. Quais são as principais doenças que acompanham esse sintoma?

As doenças mais comuns de se apresentarem com a tosse são divididas de acordo com as causas.

Se formos pensar na causa pulmonar, nós temos a asma, a DPOC (doença pulmonar obstrutiva crônica, comum a quem fuma ou já fumou), e doenças um pouco mais raras, como as bronquiectasias. E diferente do que se pode achar, a pneumonia não é uma doença em que a tosse é um sintoma primordial. Na verdade, uma pneumonia inicialmente não vai apresentar tosse. Mas no decorrer do tempo, conforme ela vai evoluindo, vai acumulando secreção nos nossos pulmões e a tosse pode aparecer.

Outras doenças fora do pulmão também levam à tosse, por exemplo, se pensarmos nas vias aéreas superior. As rinites, as sinusites, são as maiores responsáveis também pela manifestação de tosse.

Doenças que comprometem a nossa laringe também vão causar tosse, como uma laringite causada por vírus ou refluxo.

Situações mais raras, mas não menos importantes, também se manifestam com a tosse, como o câncer de pulmão. É uma doença ainda relativamente alta em nossa população e que, às vezes, só dá sinais através da tosse e nenhum outro sintoma.

Então, é necessário sempre partir para uma investigação correta quando a tosse tem um tempo de duração prolongado.

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3. Quando é o momento de procurar ajuda médica?

Nem toda tosse é um indicativo de uma doença grave. Mas não é porque a doença é leve ou não tem tantas complicações que não gera uma necessidade de se investigar. A tosse pode ser intensa, fraca, carregada ou seca. São características variadas, mas que nem sempre nos permitem pensar diretamente em um diagnóstico. Se a pessoa tem uma tosse frequente, persistente, que já dura mais de 3 semanas, essa pessoa, mesmo que não tenha nenhuma outra manifestação clínica ou nenhum outro sintoma, deve ser investigada.

Nos dias de hoje, temos uma vasta ferramenta de investigação clínica que permite diagnósticos apurados. Mas as pessoas ainda devem entender que doenças antigas ainda continuam existindo, como por exemplo a tuberculose.

Uma tosse carregada, com secreção, com expectoração, frequente, persistente, por mais de 3 semanas, é um dos indicativos que deve levar a pessoa a procurar uma ajuda médica. E nesse caso, é fundamental se pensar no diagnóstico da tuberculose.

Outra coisa, é a tosse que se torna persistente, porem com um horário bem determinado. Aquela tosse da noite, da madrugada. Isso pode falar a favor de asma. Não significa que seja esse o diagnóstico, mas já levanta a suspeita da necessidade de uma investigação.

É muito comum no nosso meio que as pessoas procurem xaropes para amenizar a tosse. Então, é fundamental que a gente possa, cada vez mais, espalhar o conhecimento. Pois a maioria desses xaropes não traz grandes benefícios, pode mascarar os sintomas de algo mais sério e demorar a se conseguir um diagnóstico.

Por outro lado, nos nossos tempos atuais, uma outra doença muito frequente que também apresenta tosse em alguns casos, é a própria Covid-19. Por incrível que pareça, quando a pessoa com a Covid-19 apresenta muita tosse, não é um indicativo de gravidade. A gravidade do Coronavírus a gente vai testar e avaliar de uma outra maneira. Mas é um sintoma tão incômodo, e tão persistente, que pode durar meses, mesmo depois da doença curada.

Então uma tosse que dura há um longo período de tempo, com determinadas características, podem direcionar a investigação clínica para o diagnóstico, mas não se deve buscar ajuda através de xaropes ou outras medicações, pois isso não traz grandes benefícios e pode fazer com que o diagnóstico demore para ser feito.

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4. Como é a tosse de uma pessoa infectada pelo Covid-19?

A tosse de quem está infectado pela Covid-19, infecção causada pelo Coronavírus, tem algumas particularidades. Ela costuma ser uma tosse seca, sem secreção nenhuma, que não tem horário de predileção, acontece a qualquer momento. A pessoa mesmo em reforço, ou fazendo algum tipo de esforço, pode desencadear essa tosse. Ela pode ter uma duração curta ou mais prolongada, caracterizando um acesso de tosse, mas ela é sempre seca.

E outra questão que é bastante particular: na Covid-19, a pessoa pode passar pela fase aguda, se curar da doença, e mesmo assim a tosse pode permanecer por muito tempo. Existem trabalhos científicos que demonstraram pacientes curados já da Covid-19, mas que continuaram a ter tosse por até 6 meses. Então, é um grande incômodo, que atrapalha bastante, mas a tosse na Covid-19, felizmente, não é um sintoma ligado à gravidade da doença.

5. Por que a noite a tosse fica mais intensa?

A tosse, de causa respiratória pulmonar, vai piorar no período da madrugada, pois é o momento que nosso organismo para de produzir o hormônio cortisol, produzido por nosso corpo apenas durante o dia. E um dos efeitos desse hormônio é proteger os pulmões contra agressão por inflamação. Então doenças pulmonares inflamatórias, principalmente a asma, tendem a ter uma tosse que realmente piora mais à noite.

Se alguém, por exemplo, tem uma sinusite crônica, aquela que acumula secreção, a tosse dela também tem uma tendência de piorar à noite. Entretanto, a justificativa é outra. Quando a pessoa deita, geralmente a tosse costuma piorar porque a mudança da posição faz com que aquela secreção que estava meio presa, escorra para o fundo da garganta, sendo apenas uma questão gravitacional. Você muda de posição, a secreção escorre e estimula o fundo da garganta a ter uma irritação que leva uma pessoa a tossir.

Basicamente, essas são as explicações para os quadros mais comuns de piora da tosse à noite. Ou seja, não tem nada a ver com a pessoa ter tomado friagem, ou porque escureceu lá fora, ou porque tomou algo gelado, questões normalmente citadas pelas pessoas.

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6. O que fazer para reduzir esse desconforto, especialmente na hora de dormir?

É preciso levar em consideração a causa dessa tosse para se diminuir o desconforto. Por exemplo, se essa tosse for causada por uma asma, é simples: trata-se a asma. O tratamento da pessoa com asma é simples, muito fácil de ser feito, e traz um resultado muito bom. A pessoa para de tossir imediatamente. E aí, vai fazendo um bom controle e não se tosse mais.

Se a tosse for por conta de uma rinite ou sinusite, é mais ou menos igual, você trata a doença que está causando isso.

No caso de uma laringite por refluxo, você tem algumas orientações dietéticas a serem seguidas e também um tratamento em decorrência desse refluxo. Então, não adianta buscar um alívio com medicações à base de xarope, isso é um paliativo com uma eficácia muito discutível, que pode trazer até efeitos reversos, porque grande parte dos xaropes antitossígenos que nós temos disponíveis contém açúcar.

Muitas vezes o paciente com diabetes não sabe disso, começa a usar esse tipo de medicamento sem uma orientação adequada, e acaba se comprometendo com uma piora do controle da diabetes.

Então, é fundamental entender que a tosse não é uma doença a ser tratada, mas um sinal de que há alguma coisa por trás dela. E é isso que há por trás dela que deve ser tratado, a fim de que esse conforto seja minimizado.

7. Como a telemedicina pode contribuir para o diagnóstico e tratamento?

Agora que já sabemos que a tosse não é uma doença, mas sim um sinal de que alguma doença pode estar acontecendo, fica mais fácil de entender a necessidade da investigação quando ela se torna mais persistente. Nos tempos atuais, nós sofremos uma revolução no atendimento médico, que até então era feito apenas de forma presencial. Consulta médica tem uma coisa que é muito importante, que é o exame físico. Temos uma realidade diferente agora, que dificulta o nosso acesso ao paciente e traz até riscos para se sair de casa e ter uma consulta convencional.

Foi aí que a história de consultas por telemedicina começou a ganhar corpo e se desenvolver melhor. Já era algo que existia, mas ainda se buscava um meio disso ser mais factível e ter um funcionamento mais adequado. Com a pandemia, isso teve que ser acelerado. É uma ferramenta importante. Porque, no início, você pode começar a triar esse paciente para investigação da causa da tosse por exemplo. Não só da tosse, mas de qualquer doença respiratória ou pulmonar.

É uma ferramenta que pode nos ajudar onde temos dificuldade de locomoção. É uma modalidade de atendimento que pode ser bastante interessante para dar um suporte para aquele paciente que está no interior do país, que não tem acesso nem à uma cidade maior, que disponha de um centro médico mais completo.

De outra forma, não é apenas um benefício para o paciente, mas para nós médicos. Por que, às vezes, o colega médico está ali, numa periferia de difícil acesso à um centro clínico maior, ou está lá no interior do Amazonas, do Pará – ainda mais com todo esse terrível acontecimento na cidade de Manaus por conta da Covid-19. Você imagine a angústia de um médico que tem uma dúvida, mas que não tem como ajudar de imediato, sendo que ele pode ter acesso à um auxílio por telemedicina a um outro especialista mais experiente para direcioná-lo.

É uma ferramenta bem importante, eu vejo isso de forma bem positiva, como uma maneira de nos ajudarmos mutuamente. Então, é um recurso adicional à medicina convencional, que é bem-vinda e vai ser bem responsiva em auxílio às necessidades de médicos e pacientes.

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